quarta-feira, 22 de junho de 2011

Atualizando o CV

Imagine um trabalho onde você demora alguma horas pra organizar uma planilha, e quando ela já está bonitinha vem alguém e deleta... e você tem que fazer tudo de novo... e de novo, e de novo...

Ou então um emprego em que a hora do almoço não é fixa, depende das necessidades do chefe ou do cliente. E isso também vale pro horário de entrada e saída, o que muitas vezes não significa nada, porque pode soar um alarme e você tem que estar a postos seja a hora que for.

E o pior, um trabalho em que você se esforça ao máximo, tenta fazer tudo perfeito, literalmente dá o seu sangue, mas na maioria das vezes isso nem é reconhecido.

Pois é, esse é o meu emprego atual: sou uma full time mom.

E sim, foi escolha minha. Apoiada e amparada pelo meu marido e companheiro de jornada, Alexandre.

A planilha representa tudo aquilo que passou a acontecer em looping na minha vida: mamadeiras, fraldas, louça na pia, roupa pra lavar e passar, casa pra arrumar... um trabalho sem fim... Meu chefe é o João. O alarme, seu choro.

E aí você me pergunta: "Por que raios você fez essa escolha se só falou coisas ruins?". Porque sobre as coisas boas eu não preciso falar, isso já está intrínseco à opção de "parar de trabalhar pra ficar com meu filho", e elas são infinitamente maiores do que as ruins. E por isso as pessoas acham que essa é a decisão mais fácil a se tomar, "já que eu vou ficar em casa SÓ cuidando do filho".

Pois bem, NÃO foi uma decisão fácil, tive que abrir mão de várias coisas, mas pesando tudo achei que o mais importante nesse momento era acompanhar o desenvolvimento do meu filho de perto.

Se estou feliz? Muito! Poder ver cada descoberta dele, cada coisa nova que ele começa a fazer, dar colo quando ele precisa, alimentá-lo, e ver aquele sorriso acompanhado de um brilho nos olhos (aquele que o João dá só pra mim) não tem preço.... ou melhor, pagaria qualquer preço por tudo isso... até aguentar os julgamentos e comentários maldosos de que estou fora do padrão feminino atual que consegue conciliar tudo (eu pedi pra alguém queimar o sutiã?? Não né, então...).

Como li em um comentário de um blog (que não lembro qual) outro dia, estou em "stand by da carreira corporativa", mas trabalhando como nunca antes trabalhei na vida! E no projeto mais lindo de todos: meu filho...

terça-feira, 21 de junho de 2011

Amamentar é tudo de bom!! (Desmame natural é o escambáu!) - Parte 2

Depois de todo o tropé do início da vida alimentar do meu filho, tudo se ajeitou na melhor dinâmica pra mim e pro João... quer dizer, "dinâmicas" porque cada vez que eu entendia o padrão da fome dele e estabelecia a rotina, pronto: alguma coisa mudava, uma hora era o tempo que ele mamava no peito, outra hora era o intervalo, e em outras a sequência. Mas uma coisa que não mudou é que desde o começo ouvi o comentário: "Nossa, ele já toma mamadeira e ainda não largou o peito?", como se fosse uma previsão catastrófica de Nostradamus...

O fato é que nunca pensei muito em como seria quando eu parasse de amamentar o João, era muito difícil de imaginar se seria com 2 anos, 1 ano ou dali algumas semanas... também não sabia se ele largaria por vontade própria ou se eu teria que fazer o desmame gradual por algum motivo. Mas confesso que em algumas vezes, principalmente quando estava estressada e fora de casa, apelei somente pra mamadeira como uma solução imediata.

Bom, e acabou sendo com quase 5 meses, por vontade dele (se é que isso é possível), quando ele começou a mamar cada vez menos e a produção de leite não resistiu a isso... foi assim, de uma forma "natural"... Natural pra quem mesmo?? Pra mim é que não foi!!!

Depois do corte do cordão umbilical, que é o primeiro sinal de aquela coisinha tão sua por 9 meses está indo para o mundo, parar de amamentar foi pra mim o segundo grande choque. Como se agora qualquer um pudesse tomar o meu lugar como provedora alimentar (tá, coisa de mãe neurótica e insegura, mas foi assim que me senti, oras!). Mas com o tempo fui pensando racionalmente e vendo que o me define como mãe vai muito além de cuidar das necessidades básicas dele e é muito mais forte, não que não soubesse disso antes, mas percebi que mesmo que outra pessoa fizesse tudo isso no meu lugar minha ligação com ele é eterna e que o cordão umbilical continua lá, em uma ligação invisível.

*Como não é sempre que essa segurança racional me consome, por via das dúvidas, continuo fazendo questão de ser eu quem alimenta o João, seja com a mamadeira ou com as papinhas (que  começaram a ser introduzidas).

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Amamentar é tudo de bom!! (Mas, porém, todavia, contudo, entretanto...) - Parte 1

Eu só queria que tivessem me dito que, assim como os partos nas novelas passam longe da realidade, amamentar às vezes não é algo instantâneo... que na hora que você pega o seu bebê no colo institivamente ele acha seu seio, faz a pega corretinha, o leite desce como mágica e pronto, tudo deu certo! Talvez se tivessem me avisado antes não teria sofrido tanto e todo o processo depois fosse um pouco diferente...

Os primeiros dias na maternidade compõem uma experiência surreal, extracorpórea, onde você está tentando se encontrar novamente depois de 9 meses estando acompanhada (e "puft" não estando mais...), sentindo as consequências de uma cirurgia (no meu caso...), conhecendo aquele serzinho que já faz parte da sua vida há algum tempo, mas que traz tantos mistérios com ele, sem contar visitas, visitas e mais visitas... Juro que lembro desses dias como se eu estivesse fora do meu corpo, assistindo o que se passava de longe... E no meio disso tudo você tem que "descobrir" como alimentar esse pedacinho de gente que depende exclusivamente de você.

Comigo não foi nada como dizem, seguindo o instinto (talvez tenha sido anestesiado junto na cirurgia...), meu leite não descia, meu bico não ajudava e meu bebê só dormia... e eu fui ficando mais apavorada cada vez que uma visita entrava no quarto e me perguntava se ele estava mamando... Quando alguém fazia essa pergunta meu "nível de responsabilidade" soava um alarme... Só entendi o tamanho do problema quando minha obstetra ao me dar alta disse para eu não me preocupar, pois se eu não pudesse amamentar eu não seria menos mãe por isso... Como assim "não puder amamentar"??? Isso nunca passou pela minha cabeça, achei que acontecesse em casos excepcionais, e que comigo aconteceria da forma natural... E é claro que o desespero só aumentou...

Mas aí fomos pra casa, o João acordou pra vida, o leite começou a descer e pedi ajuda pra um bico de silicone... às vezes parecia que tudo se encaixava, fazia tudo certinho e pronto; mas em outras... ele berrava e brigava, não conseguia pegar, e eu me desesperava... a sensação de que você está fazendo algo errado e seu filho está sofrendo é algo inexplicável, eu só conseguia chorar junto com ele... Até que na mesma semana fomos na pediatra, porque o João estava muito amarelinho, e sabia que aquilo não era nada bom... de cara ela já diagnosticou a icterícia e disse que provavelmente era porque ele não estava mamando e não estava evacuando, por isso o nível de bilirrubina alto... esse foi o ápice pra mim da mãe incapaz, que estava fazendo seu filho passar fome, e não sei nem descrever o que senti... E então fomos internados, ele fez banho de luz, ficou ótimo e a pediatra (um anjo na nossa vida) me ensinou o passo a passo da amamentação, me tranquilizou, mostrou que aquilo tudo era normal, e que por ele ser grande não seria ruim entrar com a complementação (leite em fórmula).

As coisas foram se acertando, nessa dupla peito + complemento, e talvez meu desespero de mãe de primeira viagem tenha feito do leite em fórmula uma muleta, uma garantia de que meu filho estaria bem caso eu falhasse em alguma coisa... Enfim, se errei ou não foi no desespero de tentar acertar...

Mas aquele momento em que eu estava com meu filho nos braços era "O" momento... só meu e do João... e por isso nunca gostei que as pessoas presenciassem muito, porque naquela hora era eu pra ele, e ele pra mim... Posso ter duvidado que eu seria suficientemente capaz de alimentá-lo do jeito que ele precisava, mas eu sempre tive certeza de que em todo esse processo mais do que alimento, eu estava transmitindo muito amor pra ele...

Sou a favor de que a mãe busque o melhor para seu filho, da forma como ela conseguir e que seja bom pra ela também, pois é preciso estar inteira nesse processo... seja fazendo mamaço pra defender seu direito de amamentar em público, seja acordando a noite inteira pra amamentar seu filho, seja buscando o melhor leite em fórmula, mas é preciso que pessoas que não tiveram experiências como as que foram idealizadas também tenham espaço pra falar, para que outras mães não se sintam tão anormais caso aconteça com elas também...

segunda-feira, 30 de maio de 2011

O que você diria a uma amiga que está grávida?


A Revista Crescer criou uma série de vídeos para divulgar seu curso de gestante, que é feito on line e gratuito... na minha opinião, uma boa saída para aquelas mamães que assim como eu, ficam confusas no final da gravidez e perdem todas as datas do curso da maternidade... rsrsrsrs.




Mas o que eu achei mais legal foi a ideia de mães darem conselhos/dicas para as grávidas... e vou dar minha contribuição por aqui mesmo:

- Durante a gravidez você vai encontrar gente que está te achando linda, e outras que acham que você carrega um filhote de baleia... para seu próprio bem, acredite nas primeiras.

- Os dias que antecedem os ultrassons são torturantes, mas o alívio de ver que seu bebê está crescendo forte e saudável faz toda essa ansiedade valer a pena.

- Não dormir direito, não conseguir calçar os sapatos, o malabarismo na hora de tomar banho, vão fazer com que você deseje absurdamente que este martírio acabe... mas respire e aproveite, você sentirá MUITA falta da sua barriga.

- Por mais que você planeje tudo, alguma coisa vai sair fora do esperado, e é aí que mora a beleza deste momento.

- Aproveite para descansar na maternidade enquanto você tem todo o suporte profissional... o seu bebê só vai acordar pra vida mesmo quando chegar em casa.

- Você vai ter que aprender a lidar com o fato de que antes o bebê na sua barriga era só seu, e agora ele pertence ao mundo (é essa ideia, né?) e o "mundo" vai querer pegá-lo - o que faz com que ele volte pra você quando está com fome, chorando ou precisando cuidar da higiene (e isso vai durar a vida inteira, tirando a parte de cuidar da higiene, eu espero...).

- Aquele choro de fome às 3 da madrugada vai te tirar do eixo às vezes, e do sério também, mas é só olhar pra carinha do seu bebê que tudo passa, até o sono.

- Cuidado com quem você vai tirar suas dúvidas, se a pessoa não teve uma boa experiência vai acabar te passando uma visão distorcida da realidade.

- Às vezes você vai querer desesperadamente que seu filho durma pra ter um tempo só seu... mas se esse tempo for longo demais você vai começar a ficar aflita e sentir saudades dele.

- E por fim, vai descobrir que o amor de mãe pra filho é um amor que dói. Dói de felicidade quando ele ri pra você. Dói de sofrimento quando ele sente alguma dor. Dói de plenitude de saber que ele saiu de dentro de você. Dói de saudades se ficamos um tempo longe. Dói porque é imenso, infinito, e talvez porque um coração só seja incapaz de abrigá-lo...






quinta-feira, 26 de maio de 2011

Mamãe (não)sabe tudo!

Quando eu me casei, há quase 6 anos atrás, eu dizia pras pessoas que esperaríamos uns 5 anos pra ter o 1º filho (sim, porque na festa já estavam me perguntando isso - o que eu chamo de "ansiedade alheia"). Era um tempo razoável em que as pessoas pausariam as cobranças e o que eu achava necessário pra me preparar. Eu pensava assim: eu fiz 4 anos de faculdade pra ser capaz de administrar uma empresa, logo, pra poder criar um ser humano, eu precisaria desse tempo ou mais pra aprender tudo e poder desempenhar esse papel de enorme responsabilidade (começava aí minha megalomania materna).

Confesso que nesse tempo li algumas coisas esporadicamente, sobre vários assuntos, mas nada muito profundo. Na prática, pude acompanhar pela primeira vez de perto o nascimento e desenvolvimento do meu priminho Caio, mas a mim cabiam as difíceis tarefas ligadas ao setor de entretenimento. Lembro-me de um dia que precisei ficar de babá, mas não sem a garantia de que ele já havia feito cocô e que não seria necessário trocar a fralda (eu não tinha noção de como era esse procedimento!), e então fiquei sossegada. Mas como a lei que rege os bebês só pode ser a Lei de Murphy ("Se alguma coisa pode dar errado, com certeza dará") é claro que ele fez um mega cocô, desses que a gente sente que desandou alguma coisa... conclusão: tive que pedir ajuda pra ele, que tinha 2 anos na época, e graças a Deus já falava, pra ir me mostrando o que eu precisava fazer (sem contar a parte que eu o larguei em cima do trocador pra pegar água quente, e que ninguém sabe até hoje, mas eu pedi pra ele ficar quietinho e ele ficou!).

Enfim, aí fiquei grávida, e ao longo dos 9 meses, por mais livros que eu comprasse, consegui apenas me inteirar sobre as mudanças que estavam acontencendo comigo e com aquele aquele bebê que crescia dentro de mim (afinal, saber em que mês se desenvolvia cada coisa já era demais para o meu "cérebro grávido"), e acabei deixando as questões práticas pra quando o João estivesse aqui fora.

Bom, escrevi até agora só pra dizer que é impossível sabermos de tudo, mesmo que o nome "mãe" muitas vezes traga isso embutido em seu significado. Algumas (pra não dizer, muitas) vezes você não saberá porque seu filho está chorando, mas tentará de tudo, até que uma hora acerta. Esse negócio que dizem que a mãe distingue cada choro de seu filho não é uma regra, e eu me perguntava que mãe eu era se não conseguia entender meu próprio filho. Mas a verdade é que algumas vezes nem eles sabem porquê choram!

Outra coisa, não saber de tudo evita que soframos por antecipação. Assim, de que adiantaria, por exemplo, eu ter aprendido tudo sobre parto normal se depois seria impossível meu filho nascer assim?

E garanto que, aprendendo na prática, conforme as coisas vão acontecendo, dá certo sim... Por exemplo, bastou uma vez de roupa molhada pra eu aprender que ao trocar a fralda de um menino tem que colocar o pipi pra baixo!!  (E que nunca, em hipótese nenhuma, se deve deixar uma criança sozinha em cima do trocador, cômoda, etc, por mais que ela tenha prometido pra você que não vai cair!)

terça-feira, 17 de maio de 2011

Bullying?? Já??

E daí que eu fui pesquisar mais profundamente sobre como era essa tal de "blogosfera materna", o que as mães escreviam, os assuntos mais recorrentes, e me deparei com o tal do termo "bullying materno". Primeiro pensei que as coisas deviam estar adiantadas mesmo, já que achei que precisaria entender mais sobre o assunto quando meu filho fosse pra escola e tal... Depois pensei que estivesse ligado aos quilos a mais que passamos a carregar depois da gravidez, e achei que fosse alguma chacota relacionada ao fato... Santa ignorância!

O que eu vi é que, assim como na escola, alguns grupos se formam para defender uma certa ideia ou modo de agir, e verdadeiros embates são formados. Das poucas coisas que li, (sim, porque depois de algumas  fiquei até com medo de continuar a ler, e de começar a escrever aqui) são mães defendendo o parto natural contra aquelas que fizeram cesárea, amamentação exclusiva X alimentação complementar, mães que trabalham X mães que cuidam dos seus filhos... Enfim, situações diversas. E claro que são diversas! Afinal, nenhuma mãe é igual à outra mãe, e nenhum filho é igual a outro filho.

E gente, pelo amor de Deus, geramos e estamos criando novas pessoas para o mundo, e uma das coisas fundamentais que temos que ensinar é sobre a diversidade que eles encontrarão pela frente, caso contrário ou eles se tornarão seres preconceituosos e intolerantes, ou sofrerão muita nessa vida!
Nenhuma mãe age achando que possa prejudicar seu filho, a intenção é sempre acertar, algumas vezes erramos é claro, mas faz parte de todo esse processo maluco que é a maternidade. Por isso não condeno nem defendo nenhuma postura, pois cada uma sabe da sua situação, e busca encontrar a solução mais adequada para aquele momento. Além do que, aquilo que serviu pro meu filho pode não servir pro seu.
Então vamos respeitar as diferentes opiniões! E vamos fazer disso uma soma de experiências, porque nem tudo precisa ser igual.

*se alguém ficou curioso (a), o João nasceu de cesárea com 38 semanas, pesando 4.385 Kg, e desde o nascimento até agora ele mama no peito e também o complemento.

terça-feira, 10 de maio de 2011

O fim é só o começo....

Juro que eu tentei começar esse blog quando estava grávida, afinal, assim como eu pesquisava (contra a indicação da minha médica) no "Dr. Google", outras mulheres deviam fazer o mesmo, e assim poderia ajudar de alguma forma... Mas quando me disseram que os 9 meses passam voando, não acreditei, apesar de ser a mais pura verdade.

Por ter trabalhado até quase o 9o mês, e ter sentindo um sono sobrenatural durante a gravidez toda, acho que o tempo passou mais rápido ainda, e essa ideia foi adiada.
Aí acabei registrando o nome desse blog para poder divulgar a lista do chá-de-bebê, e assim ele começou a ser utilizado... (Sim, apaguei o post da lista, afinal agora não interessa mais quantas mamadeiras foram compradas, ou o que estava faltando comprar...).

Do chá ao nascimento foi um piscar de olhos (sim, não é exagero!)... aí o João chegou, e veio com toda a inconstância que a maternidade traz, principalmente a primeira. Mas agora eu poderia escrever sobre tudo aquilo que era novo pra mim e que estava aprendendo na prática. E o tempo foi passando...

A verdade é que comecei esse post em fevereiro! E ele está nos meus rascunhos desde então...

Acho que precisava definir como seria minha vida de agora em diante pra poder enfim me aventurar por novas terras (como se todas as novidades já não bastassem!!) - sim, a blogosfera é algo novo pra mim (na verdade, não conhecia esse termo até semana passada).

Bom, resumindo: eu sou a Tatiana, mãe de primeira viagem do João, que já está com 4 meses 22 dias e 3 horas e 26 minutos...e eu PROMETO que agora esse blog desencanta!